Viver intensamente cada instante é algo que pratico também, me parece que a vida tem outro sabor quando nos libertamos dos medos e ansiedades que mantém nossa percepção no futuro e dos rancores e irresoluções que a mantém no passado.

Mas sinto que existem duas abordagens nesta forma.

Viver cada instante como se fosse o último é uma forma de abordagem.

Viver cada instante como único é outra abordagem.

Sutil diferença, mas creio que foi graças a minha lua em gêmeos que entendi essa diferença, que para um escorpionino é vital, pois pela percepção da sutileza a busca da profundidade e transcendência que um escorpionino tem como força motriz da vida, pode atingir uma sobriedade que evite caminhos auto destrutivos.

Viver cada instante como único tem uma sutil diferença de viver cada instante como o último.

O jeito de sentir, pensar e agir relacionado a cada uma dessas formas tem nuances sutis e me parece que agir a cada instante como único define uma certa sobriedade, que nenhum de nós, ao menos a maioria, não tem naturalmente, é algo que precisa ser desenvolvido.

Pensando astro logicamente eu diria que a sobriedade a qual me refiro seria o 13º ponto do zodíaco, o ponto central, onde o que adquiriu a dupla face pode contemplar os 360º da roda zodiacal simultaneamente, tendo atingido a realização, os 12 trabalhos de Hércules realizados.

Assim quando li essa idéia de estar intensamente no presente, sentindo cada momento, cada célula do corpo, cada inspiração, cada expiração e o espaço entre elas me pareceu interessante partilhar essa sutileza de abordagem desse estado.

O conceito de “entregar-se” de estar “fluindo” com a vida me parece um tema importante de ser reavaliado.

O conceito em sua vertente taoista, Zen, xamânica e de algumas outras abordagens da realidade parece bem distinto do conceito em seu senso comum.

Dentro de todas essas considerações me parece que o estar presente em cada momento como se fosse único implica em ser “alguém”. E as vezes me questiono quantas pessoas percebem que sem um trabalho árduo somos um amontoado de jeitos de agir, de emocionar e raciocinar, que pouca ou nenhuma unidade tem, guardando em nós os mais antagônicos modos, e reunindo isso tudo numa aparente unicidade que ilusoriamente chamamos de “eu”.

Assim quando vejo estes questionamentos sobre o “estar plenamente aqui e agora” me parece sensato questionar quem é este “eu” que vai estar, pois se não alcançamos ainda a unidade existencial que ilusão será esta de que de fato vivemos, quando apenas sobrevivemos, que de fato agimos quando apenas reagimos, respondendo a estímulos diversos, como alinhamentos e oposições entre astros distantes, ou odores que inconscientemente nos sensibilizam.

Viver intensamente cada momento como único é algo interessante porque me parece não uma opção em si, mas resultante.

Creio que não basta o mero desejo ou a mera palavra para de fato “viver intensamente” cada instante.

Precisamos aprender sobre o mistério da presença, um mistério fundamental, o mistério que nos permite de fato existir, de fato SER.

Só quando estamos de fato presentes no aqui e agora somos, existimos enquanto entes singulares, no mais me parece que as pessoas são apenas organismos a mais entre tantos, que processam substâncias densas e sutis, físicas e energéticas, para o grande organismo cósmico no qual estamos inseridos.

Quando este estado de consciência ocorre, quando “Sentimos ” a vida em cada célula e somos presentes a certeza de que só existe o aqui e agora , que cada momento é de fato único surge clara como a luz do Sol.

Paz!

Nuvem que Passa

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