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“Quem” ou “o Que” é o Espreitador?

“Um guerreiro na prática da Espreita não pode se dar o “luxo” de passar anos espreitando, sem se perguntar Quem ou O Quê, exatamente, é que está realizando a Espreita. A base da Espreita, é a Espreita de Si. Se há um Si que pode ser espreitado, e necessariamente observado e Visto, significa que ele não é o Espreitador final. Então a Espreita de Si deve ser aplicada não só a esse Si que está sendo espreitado, mas a esse sentido de Eu que o está espreitando, pra que se possa determinar pra si mesmo sua Identidade.

O nagual Juan Matus em Porta para o Infinito diz que o Tonal observa seus próprios atos, quando o nagual Carlos pergunta se o nagual é O Observador. A Dualidade Tonal-nagual se reproduz dentro do próprio Tonal, onde ele se divide em duas partes: a ilha do Tonal e o tonal pessoal. O nosso entorno e a nossa pessoa, o tonal externo e o tonal interno.

Vamos entender que a Ilha do Tonal, o nosso entorno, cheio de objetos para os quais sabemos os nomes e outras formas sensoriais, é uma Visão sendo projetada nas paredes do Ovo Luminoso, pelas Emanações que estão sendo tocadas pelo brilho da Consciência do ponto de encaixe. E o eu que assume o papel de personagem central desse jogo tridimensional é apenas parte dessa Visão, parte da Tela do Jogo. É um Ramo de Emanações. Se o Ponto de encaixe se move, aquele Ramo particular deixa de ser iluminado, aquele eu desaparece, mas O EU não desaparece por completo, e a espreita pode inclusive prosseguir. Significa que o Espreitador está espreitando uma miragem quando acredita estar espreitando a si mesmo?

O caminho do guerreiro conduz lentamente a encerrar essa falsa dualidade. Só há um Tonal, e esse Tonal é a Totalidade da ilha. Um tonal de guerreiro luta pra revindicar seu direito, seu Poder, de Ser uma Esfera Luminosa, e não estar confinado aos limites do corpo.

Esse Poder é escondido e ofuscado pelo Sistema da Matrix, pois ao revindicá-lo o Ser se liberta de uma vez só de todos os falsos problemas e ilimitadas distrações e distorções criadas por esse sistema, se liberta de toda a crença de que “Eu posso vir a ser escravizado ou dominado por ele”. Ele é só uma criação racional. E a razão é só uma parcela do meu Ser. Como pode sua Totalidade ser escravizada por uma parcela, a não ser por acreditar que ela própria é uma parcela escravizável? Os Seres são, como na história da armadilha do macaco contada pelo nagual Carlos, pegos e presos pela armadilha da Matrix e da Morte porque não querem largar o osso. Querem a alegria de ser uma pessoa, o conforto de ser uma pessoa, mas não a solidão e o sofrimento de ser uma pessoa. A roda da fortuna. Centenas e centenas de vezes presenciamos os ciclos de alegria pessoal e sofrimento pessoal, esperando que em algum momento a alegria pessoal se torne eterna. Até descobrirmos a alegria que existe na ausência do peso de ser um personagem.

Tantos anos de apego a forma humana criam um medo do desconhecido. Mas a Luminosidade no nosso Ovo é mais íntima do que qualquer ideia de pessoalidade que possamos ter. Basta deixar de dar atenção à falsa dualidade. Você não é um corpo em um universo infinito de objetos. Isso é uma explicação, uma história. Uma crença, bem evidenciada ou não. É secundário. Sem a história, O Que Você é? Sem a miragem, quem é o Espreitador? Era apenas a imagem e as sensações? é o Espelho? ou ainda algo além olhando o Espelho? Essa é a prática avançada da Espreita de Si.

(Jeremy Christopher)

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