“Você quer realmente ser livre? Muitos pensam que sim. Acreditam que querem ser livres, mas ao mesmo tempo alimentam mil e uma ilusões que mantém as grades da prisão bem sólidas. Querem a liberdade de satisfazer suas vontades, mas não entreveem uma liberdade que os liberte dessa voz que diz querer tantas coisas, que sofre na ansiedade de não tê-las, e que se enjoa delas uma vez que as tem.
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Você quer mesmo ser livre? Incondicionalmente livre? Geralmente é o sofrimento de não conseguir alcançar a satisfação plena a partir dos nossos próprios esforços que desperta o intento de descobrir se existe uma liberdade além desses ciclos recorrentes de alegria e sofrimento. Quem foge da constatação dolorosa da própria impotência, em busca de ilusões aliviadoras e satisfações passageiras, perde a chance de limpar e fortalecer seu intento de transcender essa condição.
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Você quer ser livre apenas na mesma intensidade com que quer ter muito dinheiro… viver um grande amor… ter um bom
trabalho…ser admirado pelas pessoas… viajar pelo mundo… se tornar um bruxão/bruxona poderosa…? A liberdade é só mais um item na sua lista? Que pode esperar até amanhã… quem sabe até mais uns 5, 10, 15, 20, 30 anos? Você intenta a liberdade meia hora por dia e na maior parte das outras 23h30 alimenta uma série de outros intentos que contrariam o intento de se libertar e reforçam e se apoiam no sentimento de estar preso na forma? Então exerça a sua sobriedade. Tenha a consciência de que todos esses outros intentos não vão te tornar livre. E que a morte vai nivelar a importância de tudo isso. E que a oportunidade que a Águia está concedendo é uma só. Se esqueceu por acaso de que a morte é a caçadora e que não tem tempo?
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Não é que a Liberdade exclua as coisas da vida e do tonal. Nem que haja nada de errado com elas. A Liberdade inclui tudo. Mas exclui a importância que se dá às coisas separadamente, e os sofrimentos que decorrem disso.”

–  Jeremy Christopher