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O Sagrado masculino Tolteca – O Olho de Tigre

“Já dizia uma velha canção :

“Animal arisco
Domesticado esquece o risco
Me deixei enganar
E até me levar por você…”

Será que você não está muito domesticado, confrade?

Já não está aceitando tudo do jeito que te falam?

Será que em algum momento você pensou:
“Dane-se, a vida é assim mesmo…”

Talvez a Matrix tenha te cansado tanto, que o venceu pela insistência. Cansado de lutar, de remar contra a maré, você se acomodou com o que conseguiu, em termos de conhecimento e vivências. Mesmo tendo uma voz interna te falando que não é só isso, você aprendeu a conviver com essa pulga atrás da orelha, com essa estranha sensação de que existe um algo mais, um lugar além de onde você já chegou. Até mesmo quem continua na busca espiritual, pode estar domesticado. Satisfeito com o que já conhece, e igualmente acomodado. Parado naquela visão de mundo, que você se orgulha de ter alcançado, mas não tem disposição de ultrapassá-la. Totalmente conformado, acomodado, sonolento, como se soubesse de tudo que vai acontecer. Uma chatice previsível, que só suga sua energia e drena seu poder pessoal. Sentado num trono de um apartamento, esperando a morte chegar…domesticado, mesmo com muito conhecimento.

Falta-lhe aquele brilho feroz no olho que todo animal selvagem têm. Aquele estado de espírito de alerta, de incerteza, de prontidão. Mesmo quando está relaxando. Falta-lhe aquele sentido de liberdade indomável, mesmo dentro das suas rotinas de guerreiro moderno. Aquela sensação primitiva da natureza de que tudo pode acontecer a qualquer momento. Aquela vitalidade que impulsiona sua criatividade.

Falta-lhe fome de vida.

Falta em você o brilho do intento nos olhos. Aquele brilho que deriva da certeza de que tudo é um mistério e que pode acabar a qualquer momento. Aquela vontade de buscar, de avançar, de evoluir. Aquilo que você tinha no começo do caminho e perdeu no meio da jornada: a disposição de colocar a prova seu intento e afiar sua impecabilidade perante todas as possibilidades desse mundão fantástico e assombroso. Se for esse o caso, vá voltando, aos poucos, a ser um animal selvagem. Vá correr pela floresta, no sentido de trazer de volta o mistério, a contemplação e a perplexidade de tudo o que acontece diariamente no milagre existencial que é nossa vida.

A magia está no dia a dia, na sua percepção sobre as coisas.

Tenha fome de vida.

O que o homem moderno chama de problemas, o guerreiro chama de desafios. Onde o homem moderno vê monotonia, o guerreiro enxerga um caos excitante e desafiador. É muito mais empolgante quando não sabemos de qual arbusto vai sair o coelho. Não queira ser um gatinho de apartamento, com suas rotinas e certezas de comer e dormir todo dia no mesmo lugar.

O Homem… nossos antepassados…sempre foram caçadores e conquistadores. Não construímos o mundo agindo como crianças choramingas sentimentais.

Seja um tigre caçador… com as aventuras, mistérios, perigos e incertezas da natureza selvagem..

Desce pra arena, parceiro…e vem buscar de volta o seu olho de tigre.”

–  Juan Tuma

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