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A Origem da Espreita: uma Arte da Liberdade

“A Espreita surgiu como uma arte de dissimulação quando os toltecas precisaram proteger seu tonal primeiro dos invasores indígenas, e principalmente, mais tarde, dos europeus.

Segundo se conta, naquela época, os índios que não se emendavam, incluindo aí os brujos, morriam como moscas nas mãos dos invasores… Seja porque se negavam a obedecer ordens, a aceitar os dogmas do catolicismo, ou simplesmente pelo capricho de algum “conquistador”. Seus poderes, aliados, posições de sonhar e sentimento de divindade e invulnerabilidade não impediram que tivessem seus tonais massacrados.

Sob a pressão implacável dos dominadores, alguns toltecas não tardaram a perceber que a arte da dissimulação era não só uma questão de sobrevivência, mas também um meio muito eficaz de produzir deslocamentos pequenos e cumulativos do ponto de encaixe.

Precisavam ter impecável Simpatia, para não ofender os pequenos tiranos com maus humores;
Paralelamente, uma enorme Implacabilidade consigo mesmos.
Com toda a sua Esperteza entreviram um caminho para reverter a situação a seu favor:
mantiveram práticas secretas no sonhar, enquanto na vigília se escudavam na igreja,
dando a impressão de terem se convertido em irrepreensíveis devotos católicos.
E tudo isso apoiado numa ausência total de pressa:
se precipitar, impacientar, ofender, desesperar, poderia ser fatal.

Assim, a base da Arte da Espreita é uma intensa entrega externa acompanhada de um frio distanciamento interno.

O que não significa não sentir nada,
mas sim saber ter desapego dos próprios sentimentos pessoais.

Não tinham saída senão espreitarem a si mesmos constantemente, cultivando neutralidade em relação às suas sensações, pensamentos, sem piedade pelas suas importâncias pessoais e imagens de si…
Aparentando não só aceitar, mas até estar à vontade com a loucura que os rodeava.

Assim, descobriram que a espreita não se trata só de disfarces. Ou de adquirir eficiência e fluidez no tonal. Mas de uma via de Liberdade para ir da 1a até a 2a atenção, se libertar da Forma Humana e chegar até o corpo energético no estado de vigília. E até mesmo ir além.

Dom Juan relata que nessas condições extremas alguns videntes chegaram a níveis sublimes de sobriedade, lucidez e desprendimento. Enxergaram a armadilha de Poder em que seus antecessores tinham se metido, conseguiram, através da espreita de si na segunda atenção, delinear o desconhecido do incognoscível, vislumbrando a Liberdade Total, e formularam as bases do caminho do guerreiro, revolucionando o rumo da tradição.

(Jeremy Christopher)

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