Ver e Olhar por Jeremy Christopher

O que faz o ponto de encaixe voltar a ter a sensação de ficar enredado nas tramas do mundo mesmo depois de já ter visto claramente que a realidade imanente de tudo é o brilho da consciência?

Às vezes surgem formas na ilha do tonal que por reflexo capturam a identificação do ponto de encaixe. Formas que por desejo, aversão, hábito, ele toma como reais, e experiencia como se estivessem separadas de si. E então da realidade dessa forma outra forma também ganha realidade, e outra, e logo a ilha do tonal – a visão de mundo – está cheia de itens densos e concretos.

Daí surge a necessidade de manter a ilha do tonal limpa.

Uma ilha do tonal limpa é uma ilha vazia. Não porque não tenha formas aparentes nela. Mas porque vê que nenhuma delas é real, nenhuma tem realidade separada, são aparências. É uma ilha onde nada realmente existe.

Numa ilha limpa as formas ficam transparentes ao brilho da consciência. Ele brilha através das formas. O nagual emerge. Tudo é apenas a luminosidade da consciência se modulando em diferentes formas aparentes.

Numa ilha assim, o ponto de encaixe e o casulo da percepção tendem a se tornar uma só coisa.

— Jeremy Christopher
(Arte: Ver e Olhar)

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