,

O tonal indescritível: o ponto de transição entre o tonal e o nagual

Ver e Olhar por Jeremy Christopher

Um dos pontos chave pra chegar na passagem do tonal pro nagual é a percepção firme e clara do tonal indescritível, uma das últimas partes da explicação dos feiticeiros.

É quando a “toalha” que cobre a ilha do tonal é erguida e o conhecido é revelado ser uma ilusão.

E retirar essa toalha é uma “simples” mudança de perspectiva, uma compreensão que surge de uma espreita cuidadosa e atenta do processo de desnate da percepção.

A ilusão do conhecido é como um efeito especial, um truque de mágica,
em que o ponto de encaixe precisa ignorar ou estar desatento ao passo a passo do processo, e de um pouco de fé, pra que tudo pareça real.

Toda guerreira e guerreiro sabe que o mundo que a percepção que temos do mundo não é definitiva: ela muda conforme o ponto de encaixe muda.
Pode ser uma pequena variação na forma como nos sentimos a respeito das coisas, que muda por completo a experiência que temos delas,
ou pode ser uma mudança mais radical em que a forma como percebemos as coisas muda por completo.

Quando temos a impressão de ver um objeto ou ser conhecido, como um gato por exemplo, no fundo sabemos que não estamos percebendo O gato: estamos vendo a DESCRIÇÃO que fazemos do gato, a percepção que temos dele, a interpretação que fazemos dele. Mas essa interpretação ocorre dentro dos limites do nosso casulo / bolha perceptiva. Nunca percebemos O gato em si: o que vemos é apenas e sempre uma interpretação.

Então, se damos um passo adiante e olhamos ainda mais cuidadosamente,
não podemos dizer que é uma percepção DO gato, porque não sabemos NADA do gato, sabemos apenas da nossa percepção. Estamos apenas conscientes de ter uma percepção.

O que está afetando nossos sentidos, o que quer que seja, se há mesmo um gato ou não e o que é realmente, é um mistério insondável pro tonal.

Se olhamos muito cuidadosamente, tudo o que há nessa percepção é a consciência dela. A consciência é a única substância com a qual entramos realmente em contato em toda e qualquer percepção.

Como disse dom Juan, até o final da explicação dos feiticeiros é dada a impressão pra razão de que o tonal é previsível e conhecido.
Mas a razão apenas testemunha uma ordem aparente, “sem nunca saber nada sobre essa ordem”. Como diz a explicação dos feiticeiros, o tonal é um vazio indescritível, aparentemente cheio de ordem.

Estamos rodeados pelo incognoscível, em cada pedaço da percepção, e esse incognoscível não é diferente do nagual.

J Christopher

0 respostas

Deixe uma resposta

Want to join the discussion?
Feel free to contribute!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *