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Eficiência e Eficácia

o segredo da serpente emplumada armando torres

“Em uma conversa que tivemos, lhe contei que eu havia assumido uma disciplina: despertava às cinco da manhã, tomava uma ducha de água gelada e logo me punha a fazer os exercícios que ele nos havia ensinado. Acreditei que Carlos ia felicitar-me por esta realização, porém, ele não recebeu bem minhas declarações, me disse que a única coisa que eu estava fazendo era expor-me a contrair uma pneumonia. Acrescentou:

“O que você está fazendo não é nem muito eficiente, nem muito eficaz. Forçando-se desta maneira não vai conseguir nada, está se desgastando inutilmente”.

Senti que ele ameaçava romper minhas rotinas, de modo que tratei de mudar de tema. Disse-lhe que, para mim, os conceitos de eficiência e eficácia que acabava de empregar pareciam redundantes. Então me explicou que para os bruxos é de grande importância não confundir os meios com os fins. Superficialmente, estes conceitos parecem ser a mesma coisa, mas não o são; na prática, há um abismo entre eles e a estreita passagem através deste abismo é a impecabilidade do caminho do guerreiro.

“O caminho do guerreiro é a arte do equilíbrio. A eficácia consiste na realização dos nossos objetivos. A eficiência, por outro lado, é o modo de fazer com que esta realização consuma a menor quantidade possível de energia.

Por exemplo, um xamã é eficaz quando consegue ver, e é eficiente quando esta conquista não dissipa toda sua vida, quando usa este poder para incrementar a consciência em vez de incrementar a importância pessoal.

Os antigos videntes foram muito eficientes ao adquirir poder; contudo, utilizaram os dons adquiridos para exercer controle sobre os demais.

Quando chegou o momento da verdade, todos se pegaram encarcerados como prisioneiros no mundo dos seres inorgânicos, não tiveram defesa alguma. Eles foram muito eficientes, sim, mas muito pouco eficazes. Ao aprender a espreitar, um guerreiro aprende a refinar seus níveis de eficiência. Cada gota de energia conta, cada movimento é decisivo. A diferença entre o tolteca, como artista guerreiro, e o bruxo charlatão dos caminhos, é que, para o primeiro, os detalhes são de máxima importância.”

(Armando Torres, O Segredo da Serpente Emplumada)
(Compartilhado por Carlos Renê Alves)

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