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Castañeda fala sobre seu salto no abismo e sobre romper as linhas paralelas

o segredo da serpente emplumada armando torres

“Quando terminamos de comer, perguntei o que realmente havia acontecido com ele naquele famoso salto no abismo.

– Confesso que não entendo muito bem a metáfora.

– Não é uma metáfora! – ele respondeu em um tom categórico e explicou:

“Há tradições de bruxos que escolhem dar o salto na hora de embarcar em sua última viagem. Nesse intento, os participantes se jogam do alto de um penhasco. Se eles passarem no teste, eles desaparecem deste mundo; Aqueles que fracassam são encontrados mortos no sopé do penhasco.

“O teste que Dom Juan me deu foi realmente uma preparação para o que está por vir. O que entrou no abismo naquele dia foi, antes de mais nada, minha percepção e, depois, a totalidade de mim mesmo. Eu havia chegado à conclusão inevitável de que não somos sólidos, somos um sentimento, uma percepção rotulada em uma descrição que chamamos de corpo e o salto me deu a oportunidade de comprovar isso. “

Prosseguiu dizendo que, ao atingir um certo nível de consciência, deixamos de ter a certeza de que somos sólidos, de que estamos cercados por um mundo de objetos. A partir desse ponto, percebe-se o mundo de um modo totalmente diferente do habitual.

Ele me deu como exemplo a alusão que fazia em suas obras sobre cruzar uma fronteira entre os dois estados de consciência, a qual ele chamou de “as linhas paralelas”. Outra maneira de descrever essa conquista de brujos é referir-se ao movimento do ponto de aglutinação de uma posição para outra, o que instantaneamente permite ao guerreiro perceber outro mundo.

Segundo ele, o processo de transição entre um mundo e outro é percebido como uma parede de névoa, um vácuo perceptivo causado pelo próprio movimento enquanto a outra descrição é realinhada. Esse lugar também é referido entre os bruxos como “o limbo” ou “a região das dunas amarelas”.

– A sensação corporal que se tem ao alinhar esse outro mundo, é a de quebrar fisicamente uma parede de papel que impõe uma leve resistência; ela é percebida como se fosse uma parede de neblina. Essa barreira tem de ser perfurada para poder alinhar o outro lado. Essa transição é percebida corporalmente como um estalo na base do crânio, semelhante a um galho que se quebra, acompanhado por um som de sino nos ouvidos.

“Os feiticeiros estimulam seus aprendizes a repetir com o lado esquerdo do corpo todo o movimento que eles fazem com o lado direito; para canhotos, o exercício é obviamente o oposto. A razão para este esforço é ajudar a quebrar a barreira física que existe dentro de nós; uma vez quebrada, torna-se muito mais fácil mover o ponto de encaixe e entrar no ensonho.

“Os feiticeiros usam a metáfora da linha limite para comprometer o aprendiz em sua nova vida de luta como guerreiro. Atravessar essa linha significa entrar no outro mundo, o que equivale a romper as linhas paralelas, o que não é nada mais nem menos do que mover o ponto de encaixe. “

(O Segredo da Serpente Emplumada, Armando Torres)

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