Howard Lee: professor de artes marciais de Carlos Castañeda

“Uma das coisas que o Nagual me explicou foi a história de Howard Lee, mestre de artes marciais de Castañeda e acupunturista, e como ele se dedicava a arrumar todos os desarranjos energéticos daqueles estudantes, imaturos ou despreparados, que entraram na segunda atenção incentivados por Carlos em seus seminários, palestras e workshops.

Howard Y. Lee: Professor de Artes Marciais de Castañeda.

Tratei durante algum tempo do Howard, até nos tornamos amigos.

Era agradável estar perto dele por causa de sua energia. Me fazia sentir realmente bem. Ele não tinha a mesma visão de mundo que o Carlos. Via energia, mas até então dizia que não era exatamente visual. Disse que havia feixes de energia por aí, assim como Carlos os descrevera, e que nem todos eram benéficos para os seres humanos. Ele havia conseguido se sintonizar com um feixe que era benéfico e estava interessado em ensinar outros a entrarem em sintonia também.

Até então eu ainda estava interessado em artes marciais, e disse a Howard que era uma pena que ele tivesse parado de ensiná-las, porque havia muito poucos professores autênticos de artes marciais por aí. Howard disse que chegara à conclusão de que não havia sentido em ensiná-las.

Howard disse que aprendeu a lidar com energia fazendo artes marciais e acupuntura. Chegou um momento em que ele se deu conta de que não precisava mais de agulhas, que poderia estimular a energia simplesmente apontando os dedos.

Sua filosofia na época era que ele viveria 150 anos, e que então as pessoas ouviriam seus conselhos sobre energia. Tentei divulgar o Howard através da revista Magical Blend, mas Howard não estava interessado. Disse que primeiro tinha que terminar um livro que estava escrevendo primeiro, e então poderia se dedicar a isso. Howard tinha um senso de destino muito desenvolvido, acho que era coisa da energia que ele manejava.

Sua atitude sobre o ego era diferente da de Carlos. Howard não tinha medo de mostrar sua imagem naquilo que escrevia, ou de promover seu nome por razões comerciais. Meu ponto de vista é que sua visão de energia estava mais próxima da visão yogue. Estava tão saturado pela energia que utilizava que tudo o mais não importava muito. Consequentemente, ele tinha modos gentis e ao mesmo tempo autoritários.

Howard dizia que após a morte a atenção se dissipa lentamente, durando cerca de 500 anos antes de desaparecer. Nisto coincidiu com as manifestações do nagual.

Carlos foi ver Howard pela primeira vez há uns 25 anos, porque uma das mulheres do seu grupo, que não está mais com ele, notou o lugar. Ela não costumava terminar as coisas, mas Carlos a acompanhou quando foi se matricular e acabou se tornando ele próprio aluno também, por um período de 10 ou 15 anos. As bruxas também praticavam às vezes. Howard não soube quem Carlos era durante muito tempo, mas Carlos lhe perguntou um dia se poderia lhe dedicar O Fogo Interior. Howard disse que não acreditou nele até ver o livro.

De acordo com uma pessoa que eu não vou nomear, Carlos falou com a velha Florinda a respeito de Howard (ela ainda estava por aqui na época), dizendo que ele falava do mesmo jeito que Don Juan. A velha Florinda interpretou isso como um presságio, dizendo-lhe que precisava fazer o que quer que Howard quisesse. Às vezes Howard usava algo que Carlos tinha lhe dado de presente, que havia pertencido ao velho Nagual. Eu testemunhei isso, então posso confirmar a história.

Carlos manifestou sua decepção ao tentar atrair Howard para seu grupo sem sucesso. Alugaram um lugar perto da oficina de Howard, esperando que ele retomasse suas aulas de artes marciais, e talvez seduzi-lo para se juntar a eles, mas não funcionou.

Howard disse muito claramente que não achava que ensonhar fosse bom. A maioria de seus negócios lidava com pessoas que praticavam as técnicas de Carlos, e dizia que sempre estava consertando danos energéticos. Pessoalmente, acredito que chegavam um monte de esquisitos reclamões, as sobras daqueles que queriam trabalhar com Carlos mas que não haviam recebido a oportunidade, assim se resignavam com o Howard. Suas lamentações sobre “seus grandes transtornos energéticos” ou “os horrores que ensonhavam” eram simplesmente maneiras de se vangloriar de quão avançados estavam. Isso deu a Howard uma falsa impressão do que estava acontecendo.

Howard costumava curar membros do grupo de Castaneda, e Carlos disse que Howard havia salvado sua vida um par de vezes. Howard me disse que uma vez viu uma das mulheres do grupo de Carlos correndo nua pela rua e gritando, enquanto Carlos e outra pessoa corriam atrás dela tentando alcançá-la.

Howard praticou artes marciais com o famoso Marshall Ho, que se tornou famoso, acima de tudo, por entrar no hall de Hollywood, e também por ser redator colaborador de uma importante revista de karatê, de propriedade de Larry Flint. Carlos dizia que costumavam fazer filmes caseiros de artes marciais, e que ele sempre acabava fazendo o papel de camareiro mexicano.

Mandei um amigo que fazia yoga para o Howard. E começou a assistir regularmente suas aulas. Eu também tinha praticado yoga com esse amigo, que achou que eu tinha endoidado por ter deixado o Howard para ir com Carlos. Como resultado, sempre escutava censuras de Carlos por parte do Howard, e, sem dúvida alguma, Howard sempre recebia censuras por parte do Carlos. Havia, definitivamente, um espírito vivo de competição entre oos dois. Não sei até onde isso afetava o Howard, pois tirei uma impressão errada com as interações do meu amigo.

— Por Daniel Lawton
tradução para o espanhol por José González Riquelme

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