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A transição da 2a para a 3a atenção

Quando falo da 3a atenção, com as guerreiras/guerreiros que me são próximos e com quem o assunto eventualmente surge, falo dela como o aspecto do Infinito que se manifesta como pura consciência (no sentido objetivo da palavra, como diriam no quarto caminho). Essa atenção pode permanecer dormente por toda uma vida, por mais disciplinado que um guerreiro seja e por mais experiências fantásticas e sobrenaturais que tenha tido. As duas primeiras atenções são incrivelmente absorventes, e podem manter alguém entretido nos problemas e auto aperfeiçoamentos do próprio tonal, com a esperança de um dia alcançar um ‘estado ideal’, ou, senão, satisfeito e apaixonado pela intensidade e pelas quase ilimitadas possibilidades que se abrem com a manipulação e exploração da 2a atenção.

A 2a atenção quanto ativada traz um estado de presença intensa, onde a sensação do corpo e dos seus limites se dissolvem por alguns instantes na intensidade da percepção presente, e junto se dissolvem os limites que a razão impõe à percepção. Nesse estado o guerreiro é mais “bolha luminosa” do que “corpo”, mais percepção livre do que prisioneiro de uma única visão de mundo, sólida e estática. Ele pode exercer sua capacidade de intentar novos intentos, alinhar novas percepções, novas experiências, dentro de sua bolha.

Se nesse estado uma guerreira não se fixa no conteúdo do que está percebendo, mas apenas no sentimento de presença, as portas da 3a atenção começam a se abrir.

A 3a atenção não é uma posição do ponto de encaixe, não é uma experiência que pode ser ensonhada, por mais magnífica e especial que uma determinada experiência possa parecer. Tentar alcançá-la por esforços ou na busca de algum sentimento maravilhoso é perder totalmente de vista a natureza da terceira atenção.

Não estou sugerindo que um guerreiro não deva se esforçar, nem ensonhar. Pelo contrário, se não se esforçar ao máximo, e se não cultivar a 2a atenção, não sairá do lugar, não limpará sua bolha nem moverá sua percepção vezes suficientes pra cultivar a sobriedade que a 3a atenção requer. Não há atalhos, pois 3a atenção, exceto em casos raros, só se abre de forma estável quando as duas primeiras atingiram um certo grau de saturação, quando o interesse não está em experiências, mas na Liberdade.

Se o intento é de Liberdade total, de Totalidade, em algum ponto o guerreiro tem que perceber que seus esforços e a busca por experiências intensas, por mais libertadoras que possam parecer, são meios de manter sua atenção encasulada, numa visão ou em outra.

A 2a atenção é um estado onde a individualidade está operante, e onde o ponto de encaixe permanece envolvido com a sua bolha, com sua visão de mundo particular.

Quando a guerreira na 2a atenção se permite imergir no sentimento de presença intensa e ignora o conteúdo da percepção, o ponto de encaixe se torna mais e mais absorvido pela força que está na origem da percepção (que nos livros foi chamada de Intento), e menos e menos pelas suas aglutinações.

Essa força não está presa dentro dos limites da sua bolha particular, e é anterior à aglutinação de um aqui e agora específicos.

Se familiarizar com essa força é a chave para a 3a atenção.

“O mistério está fora de nós. Dentro de nós há apenas emanações tentando romper o casulo. E esse fato nos desvia da verdade de um modo ou de outro, sejamos homens comuns ou guerreiros. Apenas os novos videntes superaram esse ponto. Eles lutam para ver. E por meio das mudanças de seus pontos de aglutinação conseguem sentir que o mistério é perceber. Não tanto o que percebemos, mas o que nos faz perceber.” (O Fogo Interior)

Luno Maroscuro

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